Ó Copyright Pedro Barbosa, 2001
«Ciberliteratura, Inteligência Artificial e Criação de Sentido»
Resumo
possível:
"Os sonhos da Inteligência Artificial na actual
Literatura Gerada por Computador e na Ciberarte. Texto automático, lógica
maquínica e algoritmos linguísticos na criação de sentido(s). Problemas de
referência: jogos de linguagem e construção do real."
Virtual
abstract:
The automatic generation of text and generative literature as folowers
of the proposals of Artificial Intelligence (AI); human dimension and machinic
dimension in the treatment of language; the machine as an extender of
complexity in the infinite combinatory of signs; field of reading and horizon
of possibilities; language games and construction of meaning. The case of the
textual sinthesizer Sintext-W: degrees of interactivitye e and «(w)reading.»
Na recente Conferência Internacional sobre a Cultura das
Redes [ICNC-2001]
foi dado o natural destaque às ligações informacionais que articulam uma rede.
Mas ao falar de “rede” não podem ficar esquecidos os nós que a constituem –
neste caso, os computadores.
Talvez por isso mesmo tenha ocorrido alguma hesitação, em
debates já havidos, entre os conceitos de Web-Arte e de Ciber-Arte: quer-me
parecer que o primeiro termo se dilui nas ligações que constituem uma rede
encarada como difusora da informação estética, e o segundo se concentra mais
sobre os nós da rede, ou seja, sobre o computador como armazenador e gerador de
informação estética específica.
Com efeito, uma coisa será reflectir sobre uma rede
rodoviária (caso da web-arte), e outra sobre os automóveis que nela circulam e
lhe dão razão de ser (caso da ciber-arte). Quer-me parecer que a distinção
entre Web-arte e Ciber-arte talvez radique aí mesmo: nas ligações ou nos nós.
Ora, entre a tecnolatria e a tecnofobia, haverá que distinguir a rede de
comunicações mundial e as máquinas de tratar a informação que ocupam os seus
nós.
Nesta comunicação irei precisamente centrar a atenção sobre
os computadores que suportam os nós e estão na base da grande teia
universal. Ou seja, ir-se-á encarar o
computador como armazenador, transmissor e, sobretudo, gerador de informação
nova. De informação estética nova. O computador encarado como “máquina
semiótica”. Iremos, pois, situar-nos no
domínio da ciberarte – ou da ciberliteratura em particular.
E não será muito o que trago para dizer aqui. Uma reflexão
aprofundada exigiria uma digestão mental mais lenta das interrogações que me
acompanham mas a que não dei ainda o tempo de pousarem sobre o papel.
Gostaria apenas de partilhar algumas formulações difusas que seriam lugares comuns se na sua
origem não estivesse uma práxis com um sintetizador textual que joga com o lado
mais volúvel e arbitrário da linguagem.
Senão veja-se. O poeta, puramente humano, diz: «Este paraíso
é de víboras azuis». E a máquina, laborando sobre algoritmos provenientes dos
sonhos primordiais da Inteligência Artificial, gera:
«Este poeta é de grutas azuis»
«Este silêncio é de flores azuis»
«Este pénis é de mãos azuis»
«Este soneto é de jubas azuis»
«Este poema é de noites azuis»
E assim até ao infinito do
dicionário e da sintaxe.
A linguagem liberta-se, o
imaginário expande-se, a criação metafórica supera rotinas mentais.
Não tenho a veleidade de abordar o que se segue em conceitos
rigorosos, mas tão-só dar conta de uma vivência experienciada (permita-se a
expressão) através da Ciberliteratura. Ou, mais precisamente, da geração
automática de texto. A primeira sensação é que a linguagem é um jogo, puro jogo
(Wittgenstein à parte). Mais: um jogo muito frágil, flexível, onde o verso e o
reverso podem ser igualmente válidos e produtores de sentido. Mas o lado
perigoso e perverso deste jogo está nisto: se a linguagem é o instrumento que
medeia entre a nossa consciência e o real, o que é então esse real e a
consciência que dele temos? Um jogo também ele arbitrário?
Sim: o sentimento básico que
gostaria de trazer para partilhar é este – a fragilidade da linguagem, a arbitrariedade
do que aceitamos como real, ou então a construção de sentido em que ele se
alicerça. Por outras palavras: o que há de “artificial” no pensamento
natural (sic) ou então o que há de “natural” no pensamento artificial.
Isto pode aproximar-se de algo muito glosado na filosofia da linguagem
contemporânea, mas o que aqui pretendo trazer não é um pensamento teórico,
antes o testemunho de um sentimento vivido pela experiência prática da síntese
de linguagem no terreno da Ciberarte – esse sonho desviante da Inteligência
Artificial. Adiante tentarei explicitar ou mesmo exemplificar melhor este
sentimento onde perigosamente se perde o pé na crença positiva da realidade.
Com efeito, a linguagem não é essa
âncora pesada que içamos de um lodo substancial que possamos apelidar de
“essência” do mundo. Também a tese oposta, a de que o mundo é pura “criação” da
linguagem, não colhe uma convicção mais forte. Irei por partes: o trabalho com
um gerador textual, como o que aqui se pode ver em acção e no final terei muito
gosto em discutir, fez-me perder a fé (literalmente) no poder da linguagem como
mediadora consistente da nossa relação com o real. Digamos que o peso da
linguagem se desvaneceu, e essa insustentável leveza da palavra não
afina com o insustentável peso do mundo.
Por exemplo isto.
O poeta, puramente humano, diz: «O coração tem a sua
inclinação perigosa». E a máquina, laborando sobre algoritmos combinatórios,
gera:
«O pénis tem a
sua inclinação perigosa»
«O paraíso tem a
sua inclinação perigosa»
«O pensamento tem
a sua inclinação perigosa»
«A História tem a
sua inclinação perigosa»
Ou:
«A História tem a
sua indagação perigosa»
E assim até ao infinito do dicionário e da sintaxe.
Qual destes jogos de sentido
preferir? Confesso que para mim é difícil a escolha, sem esquecer que para lá
da questão da qualidade não resta dúvida sobre a óbvia superioridade da máquina
no que respeita à quantidade. E não se diga que estamos perante exercícios
metafóricos de natureza literária, pois só uma idéia ingênua de verdade e de
linguagem científica pode ainda laborar
na convicção de que a linguagem científica não participa igualmente da metáfora
criativa.
Regressemos à esfera literária e à sua referência fictiva:
Arrefeciam
grutas no paraíso posterior
àquele
enigma:
vivem
imóveis
os jardins
das vozes. Nasciam linhas de vento se alguém,
sorrindo,
respirasse.
O corpo
Tem a sua
inclinação
perigosa: lírio de laranjas sobre a candura.
Quando se
toca,
a dança
queima. O relâmpago tem uma cidade ao fundo:
treme. Há
quem fique num paraíso para assistir ao ar.
Terrível é
o ar da janela.
Anda-se
pela canção
com as
folhas a ferver, diz-se: o peixe o nome
e as
violas. Há
um crime sagrado onde
o amor
aparece: Digo: clareira.
Velocidade
do mel. Oh,
inteligência.
Aparece com a canção
de uma
noite mortal.
Ofereço-te
um sono – diz a flor,
sentada.
Olha: eu
queria saber em que escuro
se morre,
para ter uma pintura e com ela
atravessar
praias leves e ardentes e crimes
sem
infância. Existe nas colinas
um frio
para
a poeira
tremer, e o teu mel
se voltar
lentamente cheio
de febre
para o peixe de uma rosa
terrível e
fria.
Não será que o desprendimento da máquina nos abre novos
horizontes imagéticos e nos ajuda a libertar a linguagem da ganga do passado e
dos estereótipos mentais? Claro que estamos a lidar com a linguagem literária,
onde o desprendimento em relação a um referente concreto é maior, ou antes,
onde é o próprio exercício das palavras que gera demiurgicamente aquilo a que
chamamos um “universo imaginário”.
Mas consideremos esta outra série de asserções de tipo mais
marcadamente pensamental ou aforístico:
Acaso Deus é tudo em presença do Nada?
Acaso Deus é nada na ausência de tudo?
Acaso Deus é tudo na ausência do Nada?
Acaso Deus é nada em presença do Tudo?
Acaso tudo é Deus em presença do Nada?
Acaso Deus é Deus na ausência de tudo?
Acaso tudo é nada na ausência de Deus?
Acaso Deus é nada na ausência de tudo?
Acaso tudo é nada na ausência de Deus?
Acaso Deus é nada na ausência de Deus?
E por aí fora...
Serão, salvo erro, umas 3.600 asserções possíveis que o
programa gera sem falha numa fracção de segundos.
Como pode então ser igualmente válido o verso e o reverso, o
anverso e o diverso? Como compreender, do ponto de vista lógico-semântico, que
todas estas realizações labirínticas se nos tornem igualmente aceitáveis já que
negando-se, opondo-se, contradizendo-se, todas encerram afinal uma “verdade”?
Demonstrará isto o que há de jogo arbitrário no nosso
pensamento ou demonstrará apenas a flexibilidade dos nossos procedimentos
interpretativos diante de um texto dado, forçando-nos a ajustar os mecanismos
semânticos diante de A como diante de anti-A, por forma a torná-los igualmente
plausíveis?
Com uma velocidade vertiginosa, a máquina desenvolve até ao
esgotamento o algoritmo combinatório resultante apenas desta reduzida base
lexical.
Tratar-se-á aqui de meros fenômenos de interpretação
semântica? De um esforço de ajustamento metafórico semelhante ao dos testes
projectivos? Mas se um resultado equivalente pode ser obtido diante do
enunciado A, tal como diante do enunciado não-A, para onde vai a segurança na
lógica da linguagem, última jangada que nos salvava de um naufrágio
epistemológico na nossa relação com o mundo, com o real, com a verdade?
Digamos, com Umberto Eco, que oscilamos aqui na área
fronteiriça entre os “místicos da forma concluída” e os “anarquistas da forma
dissolvida”.
Pascal disse: «Perdemos a vida com
alegria contanto que disso se fale.»
Lautréamont desdisse: «Perdemos a
vida com alegria contanto que disso se
não fale.»
Volto agora a ler mais um fragmento de um longuíssimo texto
gerado pela máquina preparada com um algoritmo capaz de libertar a infinita
carga de sentidos contida num texto. Neste caso um conjunto de textos – digamos
por agora assim – humanos. Mas, se no limite, a fonte fosse o próprio léxico
geral, o argumento seria o mesmo: não será humano o próprio dicionário?
A morte
tinha água.
Arrefeciam
noites no lado posterior
àquele
enigma. Porque tem o sono a salsa?
Nasciam
vozes de poeta se alguém,
sorrindo,
respirasse.
Evapora-se
a noite
mas não
sinto.
Nesse
espelho nocturno escrevo o que grito,
ou então
que durmo,
ou que às vezes enlouqueço.
Batem as
paisagens da flor
um pouco abaixo do silêncio. Quero
saber
o sono de
quem morre: o vestido de frio ardendo,
os
pés em movimento no meio
do meu
retrato.
A
velocidade precipitada, os símbolos da noite,
a
neve forte:
e a rude
beleza da música – Uma rapariga de sono cru
vive em mim
sem dar um passo, amando
respirar em
sua morte, o espaço
do sangue
maternal.
O meu
vento, parou diante
do ouro
mortal que o guardara.
Evapora-se
a paisagem mas não sinto.
[Nesse ânus
nocturno escrevo o que grito, ou então que durmo,
ou que às
vezes enlouqueço.
O poeta dá
à beleza como os outros animais?
Arrefeciam
paisagens no adolescente
posterior
àquele
enigma:
vivem
imóveis
os jardins das vozes.
Quando se toca,
a seda, queima. O mês
treme. Há quem fique num sorriso
para assistir ao ar.
Terrível é o ar da inocência
e das grutas paradas na atenção.
Este
silêncio é de folhas azuis.]
(...)
Quem se alimenta de pintura quem
se despe entre ligeiras casas
encostadas, pergunto,
quem ama até perder o ar?
(In
«Teoria do Homem Sentado»)
A muitos pode parecer heresia: mas confesso que prefiro a
máquina ao poeta que está na sua base metafórica. Seja o poeta nós próprio ou
um outro. E neste caso é um outro - o poeta vivo que mais aprecio. O poeta
precisamente, e não por ironia, de «Electrónicolírica». Eis então que a máquina
ajuda o homem a superar o homem. Está pois justificada a vocação da máquina: um
extensor de possibilidades, uma prótese mental, um telescópio de complexidade.
Uma experiência muito recente de levar à cena textos
automáticos deste tipo num projecto de “ópera electrónica” («Alletsator-XPTO.Kosmos.2001»)
confirmou-me esta convicção: a dificuldade manifesta por parte dos
intérpretes em memorizarem o texto proposto foi enorme, quase insuperável. Em
risco de fazer perigar o espectáculo.
Coisas deste género:
“Nunca ouvi chamar
os assassinos pelo mel dos seus retratos”
Ou:
«Os
assassinos arrefeciam mel na combustão dos seus retratos»
E depois:
«A
História arrefece redes no pensamento: treme»
E mais adiante:
«O
sono tem uma combustão ao fundo: treme»
Ou ainda:
«Sol
de redes sobre a candura. Tem uma lua ao fundo: treme»
Ou então:
1) OFíCIO
MELANCÓLICO. Assunto: recordações horizontais / Senhor Director-Geral do
Ridículo Abstracto: Neste ofício cantante vimos expor a Vossa Potestade o
seguinte. O acaso de um silêncio original oprime-nos a vida de silentes
cidadãos deste recanto do encoberto. etc...
2) OFÍCIO
AUTOMÁTICO. Assunto: recordações oblíquas. / Senhor Administrador-Geral dos
Mísseis Desactivados: Neste ofício intransponível vimos expor a V.ª Ex.ª o
seguinte. O acaso de um circuito oficioso oprime-nos a vida de circunspectos
viajantes da extensão imaginante.. Etc...
3) OFÍCIO SINTÉTICO. Assunto:
ambições envelhecidas. Senhor Administrador-Geral das Almas Tristes: etc...
4) OFíCIO
MELANCÓLICO. Assunto: amnésias luminosas. Senhor Ministro sem Pasta dos
Assuntos Terrestres: etc...
E em
resposta:
1) Temido e
odiado Piloto: Você é um esdrúxulo ser vivo permanentemente sentado diante do
infinito...
2) Parada e
confusa Tripulação: Vós sois simpáticos animais embalsamados diante da
loucura....
3) Enigmáticos
amigos: Vós sois esdrúxulos cadáveres sentados diante do grande ecrã...
4) Indecifráveis
amigos: Sois os únicos sobreviventes diante da loucura...
[Cf. URL: http://pedrobarbosa.net/alletsator-web/alletsator-web-molduraf.htm]
Pior ainda foi o trabalho dos
Coros com textos minimais repetitivos como este (importa lembrar que a
permutação completa, neste campo de possíveis, deverá ultrapassar os 362.880 versos):
Litania electrónica 3
MORRE NO SILÊNCIO DO INFINITO A
VIAGEM DA PALAVRA
NASCE NO CANSAÇO DA PALAVRA O MEDO
DO INFINITO
NASCE NO CANSAÇO DO INFINITO O
MEDO DA PALAVRA
MORRE NO CANSAÇO DA PALAVRA O SILÊNCIO
DO INFINITO
MORRE NA VIAGEM DO CANSAÇO A
PALAVRA DO MEDO
NASCE DA VIAGEM DO CANSAÇO O MEDO
DA PALAVRA
MORRE NO SILÊNCIO DO MEDO A
PALAVRA DO CANSAÇO
NASCE NO MEDO DO SILÊNCIO A VIAGEM
DO CANSAÇO
Etc.
Porquê? Talvez porque na estrutura
profunda destes textos não existisse uma lógica psicológica capaz de fornecer
âncoras ao actor na sua busca de nexos mnemónicos para reter o texto. Talvez a
lógica subjacente fosse mais uma lógica maquínica, de natureza combinatória ou
matemática e menos uma rede mental de nexos e associações metafóricas. Ora o
interessante é isto: se aqui podemos
dizer que entramos numa rede textual construída por uma progressão de sentido
maquínico, algorítmico, robótico, então parece que nos aproximamos já de algo
que poderemos apelidar de “texto artificial”, ou melhor, de uma inteligência
artificial inseminando os sentidos do texto (quaisquer que sejam os
limites, sempre relativos, deste conceito de “artificialidade”). Aliás, a
própria designação de Inteligência Artificial não passa de um oxímoro.
Isto assenta, claro, em alguns pressupostos no que
respeita à teoria do texto.
1º
pressuposto - O computador é encarado como um manipulador de signos, ou seja,
como uma “máquina semiótica”. Há pois que definir um conjunto de sinais lingüísticos
(reportório) sobre os quais actuará um algoritmo (programa) concebido como um
sistema de regras (gramática). Desta forma a máquina converte-se numa “caixa
negra” onde a informação de entrada
(input) é diferente da informação de saída (output).
2º
pressuposto - A linguagem, numa tradição que vai de Lucrécio a Kristeva,
passando por Borges, é concebida como uma combinatória infinita de átomos
lingüísticos. Uma combinatória hierarquizada, bem entendido.
3º
pressuposto - A obra de arte é encarada como uma estrutura de signos
recombinados de maneira inovadora.
4º
pressuposto - A Criação Assistida por Computador (CAC) equivale assim a uma
Gramática da Fantasia (Rodari). Ou seja: criar (C) no computador equivale a
fornecer um reportório finito de sinais (S), um número finito de regras (R)
para combinar esses sinais entre si, e um algoritmo – combinatório, aleatório,
estrutural ou outro – um simulador da Imaginação (I) que determina quais os sinais e quais as
regras que serão seleccionadas de cada vez. Este trinômio:
C = I (S + R)
define assim o Programa Estético na Inteligência Artificial
(IA) ou na Literatura Gerada por Computador (LGC).
5º
pressuposto - A criação humana consiste assim na concepção de um modelo de obra
(criação ontológica ou essencial) que abre um campo de possíveis a ser
explorado e executado pela máquina (criação variacional). Isto num trabalho
simbiótico com o artista:
ARTISTA + MÁQUINA ------> OBRA(S)
(concepção) (execução) (campo de possíveis)
6º
pressuposto - A noção unívoca de texto dá assim lugar à noção de “campo
textual” (com o seu correlativo “campo de leitura”) que será o lugar geométrico
de um conjunto de múltiplos. A noção de texto único cede por esta
via lugar à noção de “texto múltiplo”, tendencialmente infinito.
Enuciem-se aqui diferentes inícios
de um texto múltiplo variacional:
«Os
buracos contorcem-se entre o riso e as trevas/
/Avança
o nome...
«Os mortos contorcem-se entre o mel e as núvens/
/Avança
o éter...
«Os ciclistas contorcem-se entre o vício e as trevas/
/Avança
o pénis...
«Os dedos contorcem-se entre o nome e as trevas/
/Avança
o coração...
«Os rebanhos contorcem-se entre os confins e a noite/
/Avança
o pneu furado...
«Os corredores contorcem-se entre as sedas e o mar/
/Avança
o silêncio...
Etc.
Estaremos a entrar no reino de uma
inteligência literária artificial?
Estas são algumas dúvidas que aqui
trago para partilhar com os presentes neste Simpósio dedicado às fronteiras do
saber ou do não saber.
Por aqui me fico. Proponho apenas
que no tempo que nos resta, se algum for, possamos observar melhor no ecrã a
génese de alguns textos no sintetizador “Sintext-W” (incluído no livro «O
Motor Textual») a funcionar em ciclo infinito. Fico aberto a todas as
questões que desejem apresentar, a todas as respostas que saiba ou não saiba
dar, a todos os dilemas que possam ficar.
[ECRÃ: «MOTOR
TEXTUAL» EM CICLO INFINITO]
(Demonstração)
http://cetic.ufp.pt/sintext.htm
BIBLIOGRAFIA
RESTRITA:
BALPE,
Jean-Pierre e Bernard MAGNÉ, eds. «L’imagination informatique de la
littérature». Paris: Presses Universitaires de Vincennes, 1991
BALPE, Jean-Pierre. "Pour une littérature informatique: un manifeste...".
URL: http://www.refer.org./textinte/littinfo/
BARBOSA, Pedro. «A
Literatura Cibernética 1: autopoemas gerados por computador» - Porto,
Edições Árvore, 1977
BARBOSA, Pedro. «A Literatura Cibernética 2: um
sintetizador de narrativas» - Porto, Edições Árvore, 1980
BARBOSA, Pedro. «Máquinas Pensantes: aforismos gerados por
computador» - Lisboa, Livros Horizonte, 1988
BARBOSA, Pedro. «A
Ciberliteratura: criação literária e computador» - Lisboa, Edições Cosmos,
1996
BARBOSA, Pedro.
«Teoria do Homem Sentado» (livro electrónico em disquete incluindo o
gerador textual automático "Sintext" para DOS) - Porto, Edições
Afrontamento, 1996
BARBOSA, Pedro.
«O Motor Textual» (livro electrónico infinito em CD-ROM) - Porto, Edições
UFP, 2001
BARBOSA, Pedro. «Alletsator - XPTO.Kosmos.2001»
- libreto de ópera sobre texto
electrónico sintetizado em computador, com música de Virgílio Melo e encenação
de João Paulo Costa, em produção do “Esbofeteatro” no âmbito da programação da Porto 2001-Capital
Europeia da Cultura (representado a 11, 12, 13 Outubro 2001) http://www.ufp.pt/staf/pbarbosa/alletsator-web/alletsator-web-molduraf.htm
BOOTZ,
Philippe:
"Formalisation d’un modèle fonctionnel de communication a l’aide des
technologies numériques appliquées à la création poétique". Thèse de
doctorat, Université Paris 8 Vincennes - Saint Denis, U.F.R. Hypertextes et
Hypermédias, Paris, Décembre 2001.
CASTILLO, José
Romera et alii, eds. «Literatura y Multimedia». Madrid. Visor Libros,
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GILLOT,
Arnaud. «La
notion d’Écrilecture a travers les revues de poésie électronique» – Préface
de Pedro Reis. Hestia/Certel, Université d’Artois (România/France), 2000
VUILLEMIN, Alain e Michel LENOBLE, eds. «Informatique et Littérature - la littérature générée par ordinateur». Arras: Artois Presses Université, 1995.[ http://www.ciberkiosk.pt/artes/ciberteatro.html ]